sexta-feira, 1 de outubro de 2021

A experiência da representatividade


Cariocas do BeesCats (RJ) fizeram sua primeira de muitas viagens
para competições LGBTQIA+ (Foto: Arquivo BeesCats)

Sei que não falo apenas por mim quando digo que, em algum momento, passou pela mente de muitos atletas de equipes LGBTQIA+ a ideia de ser jogador profissional de futebol. Os Jogos da Diversidade 2017, que você conheceu ou relembrou na matéria anterior, reuniram ingredientes capazes de potencializar essa experiência.

Organizado em um espaço público – o Ibirapuera –, o evento foi amplamente difundido como parte do calendário da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, o que certamente atrairia público à maior cidade do país, e contou com presença da mídia, sobre a qual você confere maiores detalhes a seguir.

Todos esses elementos faziam dos Jogos a primeira oportunidade de muitos integrantes desses grupos viverem uma experiência de atleta profissional. Que o digam os jogadores do BeesCats, caçula entre as equipes LGBTQIA+ presentes na ocasião e a única representante de fora da capital paulista.


BeesCats (RJ) e Natus (SP) se enfrentam em quadra enquanto atletas
do Bulls (SP) acompanham a partida (Foto: Arquivo BeesCats)

“Aquele primeiro torneio para nós era 'O EVENTO', como se estivéssemos indo para os Jogos Olímpicos. Para a gente foi muito importante, juntamos uma galera, organizamos nossa primeira excursão do time, todos hospedados na mesma casa… foi uma experiência muito legal. Ali descobrimos o quão bacana era partir para esse caminho”, relembra André Machado, fundador e presidente do BeesCats.

Seu xará André Bugrinne estava nos primeiros encontros que deram forma ao time. Hoje vice-presidente do “Bees”, ele recorda a sensação de participar de sua primeira competição inclusiva fora de sua cidade e destaca a diversidade refletida nos perfis de pessoas que encontrou no Ibirapuera.

“A experiência foi sensacional, você se sente como se fosse um atleta de grande clube ao entrar em quadra e a torcida cantar seu nome ou então ser anunciado nos microfones. Além disso a inclusão de pessoas de diversas tribos demonstra a pluralidade do movimento”, afirma.


Representatividade trans em quadra: Meninos Bons de Bola (SP) são a primeira
equipe do país formada por homens transexuais
(Foto: Arquivo MBB)

Uma sigla, muitas letras

Assim como a Parada do Orgulho de São Paulo, os Jogos eram destinados ao público em geral e essa diversidade era percebida dentro e fora de quadra. Se a maioria dos atletas presentes era de homens cis gays, o Meninos Bons de Bola dava o pontapé inicial na representatividade trans em competições inclusivas.

“Para nós (o evento) foi um momento muito importante, ainda não tinha acontecido nenhum torneio assim para equipes LGBTQIA+. Para nós foi muito bom ter participado, só não imaginávamos que haveria eventos assim com tanta frequência depois”, conta Raphael Martins, presidente e fundador da primeira equipe formada por homens trans, nascida em 2016.


Bulls (SP) conquistou o título que marcou o início do boom das competições
esportivas LGBTQIA+ que tomariam o Brasil a partir de 2017 
(Foto: Arquivo Bulls)

Título para a história

Dentro das quatro linhas, Bulls e Natus fizeram a primeira final em torneios LGBTQIA+ do Brasil. No apito final, a equipe de uniforme vermelho e preto levantou o primeiro título de um movimento que viria a ter milhares de campeões dentro e fora das quadras e campos, partindo do princípio segundo o qual cada competição e cada evento é uma conquista de todos os envolvidos.

“Foi uma sensação maravilhosa. Tivemos um final de semana de entrevistas e fomos campeões. Saiu matéria nossa em jornal local, fomos convidados para dar entrevista na maior rádio de São Paulo... ali caiu a ficha que o futebol LGBTQIA+ estava sendo representado e as pessoas começaram a ver que gay joga bola sim e que não iríamos parar por ali”, relembra Mauricio Lima, presidente do Bulls, que acompanhou de perto a conquista.


Telejornal local SPTV primeira edição contou com entrada ao vivo
durante os jogos de voleibol do evento (Reprodução: GloboPlay)

Close certo

As entrevistas mencionadas por Maurício não foram algo isolado. Os jogadores não imaginavam que, à beira da quadra, estariam jornalistas que conheciam apenas da televisão. O telejornal local SPTV primeira edição fez uma entrada ao vivo durante as partidas de vôlei. Caco Barcellos aguardava a final do futsal para seus últimos registros para o Profissão Repórter, enquanto Gabriela Moreira, ainda pela ESPN Brasil – hoje repórter e apresentadora do SporTV –, entrevistava integrantes das equipes para o canal por assinatura e o blog que mantinha no site da emissora (confira links no fim da matéria).

“Naquela época o time estava mais se divertindo e competindo do que militando. Não estávamos acostumados a ser assunto de interesse da mídia, então participamos das entrevistas sem imaginar que aquele evento teria tanta repercussão, inclusive na sociedade. Muitos jornalistas estavam lá com interesse em documentar o evento, isso chamou muito a nossa atenção”, conta o zagueiro do Natus Alexandre Antoniazzi.


Caco Barcellos entrevista atletas das equipes finalistas do torneio de futsal
após a decisão para o Profissão Repórter 
(Reprodução: GloboPlay)

Esse interesse, no entanto, não é uma constante, como lembra o atacante Felipe Flor. “É algo rotineiro quando estamos no mês da diversidade (junho, mês do orgulho LGBTQIA+), nos demais meses não percebemos tanta procura da imprensa”. Isso só mudou com o aumento da frequência de realização de torneios entre equipes inclusivas, mas isso é assunto para uma outra matéria, na qual você confere a opinião de Gabriela Moreira sobre a atenção dada pela imprensa ao esporte inclusivo.

A cobertura de veículos de comunicação foi bem avaliada por Erico, que também relembra ter vetado propostas com viés de humor. “O saldo de mídia foi muito positivo, conseguimos entrar ao vivo em jornais da Globo em uma época em que as mídias sociais não estavam tão em evidência como agora, mas eu pessoalmente barrei quem queria se aproveitar do evento para fazer chacota, como o Pânico na TV e o Danilo Gentilli, de modo a proteger a imagem dos participantes de algo que era totalmente contra nossos princípios de enfrentamento à LGBTfobia.”


Gabriela Moreira no complexo do Ibirapuera para gravação
do especial Futebol Fora do Armário (Reprodução: YouTube)

Mergulho em um novo universo

O estilo de Gabriela Moreira, no entanto, estava alinhado com os valores que o Comitê Desportivo LGBT buscava transmitir com o evento e que as equipes disseminavam simplesmente por entrar em quadra. Frequentemente envolvida em reportagens em que a informação e os números frios cedem espaço a uma abordagem mais humana e propõem reflexão em termos sociais, a então repórter da ESPN Brasil havia sido apresentada às equipes LGBTQIA+ durante a preparação do especial Futebol Fora do Armário (confira links no fim da matéria) e mergulhou em um universo que a surpreendeu.

“A ESPN segue diretrizes da Disney, que tem um núcleo para pautas de diversidade e gênero. Seguimos essa mesma estrutura na época aqui na ESPN Brasil com o mesmo objetivo de difundir e discutir essas questões, ligando nosso radar para buscar assuntos para abordar em matérias. Foi uma grande e grata surpresa durante a apuração para esse especial ver que havia tantos times que dava para montar um campeonato. Foi muito legal ver a organização das equipes e poder acompanhar aquele momento”, conta Gabriela.


Terceira parte do especial Futebol Fora do Armário,
que foi ao ar pela ESPN Brasil (Reprodução: YouTube)

Durante a produção realizada em São Paulo e no Rio de Janeiro, ela foi apresentada a histórias que ficaram em sua memória. “Um menino do BeesCats que jogava peladas com colegas de trabalho e nunca tinha declarado sua homossexualidade nesse ambiente se sentiu tão acolhido a partir de quando começou a praticar futebol com o time, que decidiu se assumir para os colegas. Também me chamou a atenção um atleta do Bulls que, antes de entrar para o time, sofria com depressão e não se sentia pertencido ao grupo com que jogava e, a partir do momento que começou a fazer parte do Bulls, melhorou da depressão e progrediu em vários aspectos da vida”, relembra a jornalista.

André Bugrinne foi um dos entrevistados por Gabriela para o especial Futebol Fora do Armário, durante visita da repórter e apresentadora a um dos encontros do BeesCats, já de volta ao Rio de Janeiro depois dos Jogos da Diversidade.

“Eu sempre fui fã da Gabi. Ela, assim como eu, é flamenguista e suas matérias sempre trouxeram uma reflexão para a sociedade por meio do esporte. Além disso, o modo com que aborda a temática da inclusão nos passou muita confiança, fazendo dela uma pessoa muito significativa na história do BeesCats. Sua forma de abordar os mais diversos assuntos evidencia a grande profissional que é”.

Gabriela Moreira em encontro do BeesCats, no Rio, logo
após os Jogos da Diversidade (Fotos: Arquivo BeesCats) 

A partir do que acompanhou nos Jogos naquela tarde de junho e também em visitas a treinos como o do Unicorns (SP) e do BeesCats (RJ) - ela visitou o grupo carioca logo na semana seguinte ao evento -, Gabriela avalia a impressão que teve das equipes esportivas inclusivas.

“Não importa a orientação sexual, o futebol é praticado por todo mundo, cada um com seu nível técnico, e tem espaço para todos. Saí dessa cobertura muito convicta de como é importante ter espaços onde cada um tem liberdade de ser quem é e continuar a prática esportiva. Vi também que o futebol inclusivo é muito mais respeitoso em relação aos diferentes níveis técnicos dos atletas. Essas equipes acolhem todas as liberdades. Isso é o esporte sendo exercido em sua essência", analisa.

NO PRÓXIMO POST…

Os primeiros passos das equipes precursoras da representatividade LGBTQIA+ no Brasil: Real Centro (São Paulo/SP, 1990), Magia (Porto Alegre/RS, 2005), Barcemonas (Ananindeua/PA, 2010) e BallCat’s (Manaus/AM, 2014). A formação desses grupos, a primeira competição inclusiva da qual participaram e a perspectiva do pesquisador Wagner Xavier de Camargo do ponto de vista das ciências humanas e sociais do acolhimento e pertencimento promovidos pelas equipes LGBTQIA+.

Confira vídeos que registram como foi o evento:

Matéria no SPTV: https://globoplay.globo.com/v/5946463/

Reportagem no Profissão Repórter: https://globoplay.globo.com/v/6052063/programa/?s=0s

Matéria no blog da Gabriela Moreira no site da ESPN: http://files.espn.com.br/blogs/gabrielamoreira/704283_sem-apoio-de-doria-jogos-lgbt-reunem-400-atletas-no-ibirapuera

Vídeo do evento publicado no canal oficial da APOGLBTSP, ONG responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=BUEdZLsvYAs

Especial ESPN Futebol Fora do Armário parte 1:

https://www.youtube.com/watch?v=E701OZoQJR0

Especial ESPN Futebol Fora do Armário parte 2:

https://www.youtube.com/watch?v=Be3hN2UGmnY

Especial ESPN Futebol Fora do Armário parte 3:

https://www.youtube.com/watch?v=NAhUGIzJVrk


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Ocupando os primeiros espaços


Jogos da Diversidade iniciaram boom no esporte LGBTQIA+
(Reprodução: Site oficial)

Para a grande maioria das pessoas, a primeira cor que vem à mente quando se fala no Parque do Ibirapuera é o verde, mas, em 17 de junho de 2017, o Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, vizinho desse cartão-postal da capital paulista, foi tomado por todas as cores da bandeira LGBTQIA+.

Nesse dia foram realizados os Jogos da Diversidade de São Paulo, iniciativa que fez parte da programação oficial da Parada do Orgulho LGBT+ da cidade realizada em parceria entre o Comitê Desportivo LGBT do Brasil e a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo com apoio da Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude e apoio institucional da Federação dos Gay Games - sobre a qual você vai saber mais em breve aqui no blog.

Além de modalidades consagradas como futebol, futsal, handebol, natação e voleibol, a participação se estendia a carteado, bilhar, dança, a popular gaymada e uma aula livre de zumba, reunindo não apenas pessoas identificadas com os valores da inclusão e da diversidade, mas também grupos que criavam espaços para que pessoas LGBTQIA+ praticassem o esporte que amam de forma mais leve, harmoniosa e livre de preconceitos. Poucos, no entanto, faziam ideia de que aquele torneio seria o embrião de um grande movimento que tomaria todo o país.

FOMENTO À INCLUSÃO

A história dos grupos participantes dessa primeira competição entre equipes esportivas inclusivas começou a ser desenhada em 2015, quando o Comitê teve participação decisiva na criação de uma delas.

“O Natus FC nasceu a partir de um projeto do Comitê Desportivo LGBT do Brasil para a criação e fomento de equipes de futebol, com encontros onde pessoas LGBTQIA+ praticavam o esporte em um clube esportivo público. O mesmo projeto foi realizado para handebol e voleibol, mas a ênfase no futebol se deveu por ser uma modalidade difícil de disseminar entre os gays”, conta Erico Santos, que presidiu o Comitê entre 2008 e 2017.


Natus (SP): ansiedade pelo primeiro torneio LGBTQIA+ (Foto: Arquivo Natus)

Nas atividades voltadas ao esporte mais popular e também mais LGBTfóbico do país, aspecto que justifica o trabalho pela inserção da população LGBTQIA+ nessa prática, Erico contou com apoio do Real Centro FC, equipe inclusiva precursora no Brasil, nascida em 1990.

“Isso (esse apoio) nos surpreendeu e permitiu que sugerisse ao grupo de futebol que seguissem como um time fora do Comitê, pois estava fora de nossa alçada a administração de equipes e agremiações, uma vez que, como entidade, o Comitê tinha como uma das prioridades organizar eventos, dando autonomia à equipes”, completa. Em uma próxima postagem aqui no blog você confere como nasceram o Real e outros grupos pioneiros na causa.

Em outras modalidades, como o vôlei e o handebol, por exemplo, essa reverberação ainda não acontecia da forma ocorrida no esporte que é a paixão nacional. Erico explica o motivo: "Esse boom começava no futebol, mas no vôlei e no handebol ainda não havia equipes declaradamente gays. No caso do vôlei, muitos sabiam que as equipes eram até 100% gays, mas não levantavam bandeiras nesse sentido, até por jogarem torneios tradicionais (não voltados para a diversidade)", conta, lembrando também a participação de integrantes cisheterossexuais nos Jogos. "Com a criação da LiGay e a postura de equipes levantarem a bandeira, foram criadas equipes de vôlei declaradamente LGBTQIA+. Os Jogos foram um divisor de águas nesse sentido".

UM DESEJO ANTIGO

Em 2017 o Natus já participava de torneios em que os atletas adversários não eram assumidamente LGBTQIA+, exemplo que muitos times Brasil afora também passaram a seguir, culminando com a participação do Bárbaros, também da capital paulista, em competições conhecidas no cenário do fut7 profissional, como a Taça do Governador de SP e a Liga Fut7, competição nacional pela qual enfrentaram o Flamengo, por exemplo. A participação nos Jogos da Diversidade, porém, veio como resposta a um antigo anseio do clube, como conta Jucimario Junior.

“Já queríamos um campeonato LGBTQIA+ há algum tempo e surgiu essa oportunidade”, afirma o atacante, que, ao ver no evento outras equipes com o mesmo propósito, testemunhou o embrião do que viria a se tornar um movimento nacional: “depois do pontapé inicial do primeiro torneio, imaginamos, pela quantidade de times e de pessoas interessadas em jogar, que teríamos um monte de grupos como esses pelo Brasil”.


                           Afronte (SP), fundado em fevereiro de 2017 (Foto: Arquivo Afronte FC)


Foi essa também a percepção de Lukas Spears, zagueiro e presidente do Afronte FC, mais um representante da causa, criado em fevereiro de 2017 e que também disputou aquela edição dos Jogos: “a partir do momento em que surgiam novos times trazendo jogadores que se sentiam apoiados por outros atletas, entendemos que isso tomaria uma proporção grande, com torneios frequentes”.

NO PRÓXIMO POST...

Um pouco mais sobre a contribuição dada pela imprensa ao movimento por meio da cobertura dos Jogos da Diversidade, memórias da repórter e apresentadora Gabriela Moreira sobre sua cobertura no evento, o título do Bulls (SP) dentro de quadra e a experiência do então caçula BeesCats (RJ) em sua primeira viagem para competir.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

A bola do lado de fora do armário

LiGay 2017 (Crédito: Arquivo LiGay)
Primeira Champions LiGay, um marco na história do esporte LGBTQIA+ (Foto: Arquivo LiGay)




















Em 2017 eu certamente tinha a mente bem mais fechada que hoje, mas não fechada o suficiente para deixar de conhecer uma pelada voltada só para gays, ao ser convidado por um amigo. Embarquei nessa empreitada tomado pela curiosidade, seguindo à risca a máxima segundo a qual não se recusa convite para jogar bola. Mesmo já estando fora do armário, eu não fazia ideia do que encontraria, muito menos que esse universo seria parte significativa da minha vida pelos anos seguintes.

A descoberta me rendeu experiências indescritíveis - que certamente vou relatar aqui -, me transformou e continua transformando como pessoa até hoje, me proporcionou uma reconstrução profissional, me fez conhecer uma galera incrível e descobrir histórias de como o esporte é capaz de injetar vida, ânimo e inspiração em nossas veias.

Medalhas, títulos, artilharia e outras conquistas pessoais que alcancei nunca conseguiriam representar totalmente o que vivi e sigo vivendo até hoje. Decidi criar esse espaço em retribuição a tudo isso e a todos com quem compartilhei esses momentos. Contar um pouco do cotidiano desse movimento é uma forma de documentar parte da trajetória de tantas equipes que promovem mudanças tão significativas para tantos indivíduos que, muitas vezes, perderam contato com o esporte que amam e, graças a esses grupos, resgataram sua paixão.

Que esse seja um local para se conhecer mais sobre a luta por inclusão, respeito às diferenças e representatividade e também para reconhecer que a capacidade de rendimento na prática esportiva não está ligada a identidade e expressão de gênero ou orientação sexual.

Sejam bem-vindes ao Cores do Esporte!


A bola do lado de fora do armário

Primeira Champions LiGay, um marco na história do esporte LGBTQIA+ (Foto: Arquivo LiGay) Em 2017 eu certamente tinha a mente bem mais fechad...